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Atletas com diabetes participam de ultramaratona durante a pandemia


Texto por Larissa Martins

Distância não é limite para quem quer chegar longe, como no caso dos corredores da Ultra dos Anjos Internacional (UAI). Apesar da pandemia, a ultramaratona aconteceu entre os dias 10 e 12 de julho e não assustou nem um pouco três dos nossos atletas, com DM1.

A tradicional Ultramaratona dos Anjos Internacional (UAI) aconteceu em formato virtual.

O endocrinologista e triatleta Roberto Yassuyuki Maruoka (CRM-SP 112753), que também participou da prova, relatou a necessidade dos cuidados nas ultramaratonas.

“Cuidados em relação às hipoglicemias precisam ser tomados”.

“Nessas provas de endurance para pessoas com diabetes insulino-dependentes, alguns cuidados em relação às hipoglicemias precisam ser tomados, porque o corpo exige consumo maior de glicose, precisando repor carboidrato”, explica.

A prática de atividade física é essencial para o bom controle da doença, que inclui também a alimentação saudável e o uso da medicação. Com esse tripé em equilíbrio, é possível superar os próprios limites

Para o atleta Hugo Almeida, coordenador dos núcleos de GO e DF do CPD, que convive com diabetes há 26 anos, participar de corridas como essa estimula outras pessoas com diabetes a se superarem.

“O meu propósito maior fazendo esses desafios é incentivar todas as pessoas com diabetes a começarem uma atividade física, porque é um dos pilares do autocuidado do diabetes e de uma vida saudável”.

Hugo correu a distância de 135 km da UAI, percorrendo Brasília – DF toda.
Ele destaca como fator fundamental para completar a prova o apoio dos profissionais de educação física que o acompanham, Emerson Bisan e Marcelo Prata.

Para fazer esse tipo de corrida, é preciso organização e planejamento com toda uma equipe de saúde, fazendo assim os ajustes necessários para mitigar o impacto das diversas variáveis na glicemia e mantê-la o mais estável possível.

O certificado dos 135km da UAI, percorridos por Hugo Almeida em Brasília.

Além dos profissionais de saúde que o acompanham, ele contou com o apoio de mais de 10 amigos que se revezaram para correr ao seu lado ao longo das quase 16 horas.

“É o esporte individual mais coletivo que existe. Além daqueles que correram comigo, as mais de 422 milhões de pessoas com diabetes também estavam me acompanhando”.

Hugo e amigos durante os 135km da UAI.

Já o mineiro de Pirapora Leonardo Macedo, que convive com diabetes há 16 anos, participou da distância de 95 km.

“O legal disso tudo é que nós somos capazes de tudo, a diferença está em conhecer seu corpo mais detalhadamente para saber até onde é possível ir com segurança e controle”.

Ele dividiu o percurso em quatro etapas, divididas em três dias, correndo 22,1 km e 30,6 km (6a), 22,85 km (sáb) e 22,1 km (dom), respectivamente.

“O momento que me marcou foi quando finalizei os 95 km da competição em que estava inscrito, pois nunca havia corrido um volume desse em menos de três dias”.

Leonardo Macedo participou da distância de 95km correndo pelo interior de MG.

Não satisfeito, ele ainda correu mais 2 km até chegar na sua casa, totalizando quase 98 km. Apesar de correr desde os 9 anos, ele não conta com o apoio de nenhum profissional de educação física.

Procurar ajuda especializada é fundamental

“Alguns grupos de corrida ou profissionais costumam pressionar as pessoas a evoluírem para maratonas e ultras sem o preparo ideal, o que não é correto por se tratar de um processo lento, que não permite mudanças abruptas”.

O atleta João Roso, que também fez a distância dos 95 km, considera que o maior desafio foi o mental. Ele dividiu a prova em três dias, correndo parte na esteira e parte nas ruas do bairro onde mora em São Paulo – SP.

Jonny destacou a importância do planejamento de acordo com o tempo total de prova. Ele prefere pecar pelo excesso, levando uma quantidade maior de fitas para teste da glicemia, carboidratos de rápida absorção e proteína do que normalmente utiliza.

Preocupado com a sua saúde e segurança, ele destaca a importância do monitoramento da glicemia – medida a cada 2h – e de avisar os amigos e familiares ao sair de casa.

“Sou muito cauteloso nesse sentido: em qualquer prova ou treino, independente da distância, prefiro pecar pelo excesso”.

Felicidade genuína: Hugo e Léo após completarem a UAI

Parabenizamos todos os ultramaratonistas que completaram a UAI, em especial os que têm diabetes.


Enquanto não podem correr juntos, os atletas do Correndo pelo Diabetes seguem correndo fisicamente separados, seguindo os protocolos de vigilância locais e tomando todos os cuidados necessários para evitarem a contaminação por COVID-19 e a transmissão do coronavírus aos demais.

Para mais informações acesse as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)

Larissa Martins é jornalista formada pela PUC-MG, atlteta do Correndo pelo Diabetes e convive com diabetes tipo 1 há 25 anos.

Atletas Reais

1 Comment

  • Voces são inspiradores!!!! Diabetes não nos impede de fazer nada. Pelo contrário, nos dá mais disciplina!! Parabéns a todos os ultramaratonistas DM1!!!

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