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Os diferentes tipos de exercícios e os seus benefícios para o diabetes



Vocês conhecem os principais benefícios dos exercícios para o diabetes?

Quando falamos dos pilares do tratamento do diabetes e enfatizamos a importância do exercício físico e todos os seus benefícios, não estamos falando necessariamente do benefício de “baixar a glicemia”.

Claro que a atividade física ajuda na captação da glicose como fonte de energia.

Mas vocês sabem por que isso acontece?

Durante os exercícios, a contração muscular desempenhada é capaz de translocar os receptores GLUT-4 (proteína transportadora de glicose) sem a necessidade da ação da insulina.

As células dos músculos possuem grande quantidade de transportadores de glicose (GLUT-4), que fazem o transporte das moléculas de glicose da corrente sanguínea para dentro das células e baixam os níveis glicêmicos. Isso faz o exercício físico ser considerado parte da linha de cuidado do diabetes e os olhos dos praticantes brilharem.

Mas é esse o grande benefício?

A meu ver, existem vários outros benefícios na prática de exercícios além da redução da glicemia, com o cuidado e conhecimento necessários para uma prática segura.

Sabemos que a queda acentuada da glicemia pelo exercício, muitas vezes concomitante com o uso de medicamentos de via oral ou insulina injetável/inalável, aumenta o risco de hipoglicemia.

Portanto, quanto “mais estável” mantivermos nossa glicemia, evitando picos e desajustes, melhor.

Atleta Lili Jorge monitorando a glicemia após atividade física. Foto por Larissa Martins.

Mas essa é uma conversa sobre estratégias de previsão, suplementação e ajustes para que isso não aconteça, como já expliquei no post “5 perguntas que você deve fazer antes de praticar qualquer atividade física”.

Aqui, vamos falar dos benefícios gerais da atividade física e dos exercícios para o diabetes, de acordo com os três principais tipos: fortalecimento, cardiovascular e mobilidade articular.

Trabalho muscular – fortalecimento

Exercícios de resistência com pesos, mesmo que esses pesos sejam do próprio corpo.

Exemplos: MUSCULAÇÃO, GINÁSTICA LOCALIZADA, TREINAMENTO FUNCIONAL e alguns segmentos do PILATES.

Esse tipo de exercício tem como grandes benefícios:

Atleta Sherida Paz realizando musculação. Foto por Larissa Martins
  • Melhora na composição corporal pelo aumento de massa magra;
  • aumento de força para as atividades do dia a dia;
  • melhora na postura;
  • prevenção de doenças da coluna.

No diabetes, o ganho de massa magra aumenta o que chamamos de taxa metabólica, que é o mínimo de energia necessário para manter as funções do organismo em repouso (batimentos cardíacos, pressão arterial, respiração e manutenção da temperatura corporal).

Quanto maior a taxa metabólica, mais energia é gasta em repouso, o que, consequentemente, pode causar a redução de medicamento necessário.

LEMBRANDO QUE NENHUM MEDICAMENTO DEVE SER UTILIZADO, ALTERADO OU DESCONTINUADO SEM PRÉVIA ORIENTAÇÃO DO MÉDICO RESPONSÁVEL.

Trabalho aeróbico – cardiovascular

Exercícios que utilizam o sistema de transporte do oxigênio para gerar energia para as ações (correr, pular, saltar, pedalar) de cada atividade. Além disso, os exercícios tendem a ser cíclicos e utilizam mais de 60% da massa corporal.

Exemplos: CAMINHADA, NATAÇÃO, REMO, CORDA, DANÇA, FUTEBOL, CICLISMO, BASQUETE e ARTES MARCIAIS, entre outros.

Atleta Flávio “Doce” Aguiar correndo. Foto por Larissa Martins.

Esse tipo de exercício tem como grandes benefícios:

  • Melhora da resistência geral (capacidade de suportar esforços por tempo prolongado);
  • melhora dos sistemas circulatório e cardíaco;
  • aumento do gasto energético ainda durante a sua prática;
  • melhora da composição corporal.

Para o diabetes, reduzem significativamente os riscos de complicações macrovasculares, como doenças cardíacas e circulatórias.

Alongamentos – mobilidade articular

Exercícios que interferem nos componentes elásticos da musculatura, tendões, ligamentos e fáscias. 

Exemplos: ALONGAMENTOS, YOGA e segmentos do PILATES.

Atleta Paulo Baffa alongando. Foto por Larissa Martins

Esse tipo de exercício tem como grandes benefícios:

  • Melhora geral da postura;
  • redução dos riscos de doenças da coluna;
  • redução dos níveis de stress.

Para o diabetes, reduzem o enrijecimento articular (que pode causar complicações a longo prazo, como capsulite adesiva e dedo em garra).

De um modo geral, o mais importante é, ao longo de cada semana, distribuir os diferentes tipos de exercícios, trabalhando cada um deles ao uma menos uma vez e cumprindo a meta estipulada pela OMS de no mínimo de 150 minutos de atividade física de média intensidade ou 75 minutos de atividade física de alta intensidade.

LEMBRE-SE:

  • Os benefícios vão muito além do controle glicêmico;
  • consulte seu médico antes de sair se exercitando por aí;
  • consulte um profissional de educação física para te orientar;
  • escolha o exercício que atenda às suas necessidades e gere prazer.

“O exercício ideal é aquele que você faz e se diverte – e treino feito é melhor que perfeito!”

Emerson Bisan é profissional de educação física, proprietário da assessoria Nova Equipe, ultramaratonista, educador em diabetes e coordenador de exercício físico do Correndo pelo Diabetes. Ele convive com diabetes tipo 1 desde 1995.

Emerson Bisan
CREF 002828-G/SP

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